Expediente

Amauri queria mesmo é ser apresentador do “Lonely Planet” e viajar o mundo inteiro. Mas como o emprego não rolou, ele tentou 4 faculdades diferentes. Que também não rolaram até o final. Trabalhou por muitos anos em agências e internet, mas hoje perde seu tempo fazendo camisetas para bandas de rock, indo a shows, tentando comprar ingressos semi-impossíveis, lendo e fotografando tudo o que aparece na frente, procurando maracujá em todas as quitandas de Nova York, falando bobagens no MSN e planejando qual a próxima viagem esquisita - já esteve no Samarkand, Korčula e Araponga, e hoje quer ir pra Socotra e pra Capadócia. É flamenguista até morrer e acha que o Zico deveria ser o próximo Secretário-Geral da ONU.
Ana já quis ser jogadora de tênis profissional (de sucesso para ser milionária) quando criança, astronauta & astrônoma quando pré-adolescente, jornalista (de música, nada além) na adolescência, mas terminou estudando museologia e publicidade, e tendo uma carreira indefinível. Quando não esta mandando seus 4 gatos não arranharem o sofá, tirando fotos, ou trabalhando, ela gosta de namorar, nadar, cozinhar, ir a livrarias - e cheirar os livros antes de comprá-los - ouvir a nova música favorita 25 vezes seguidas, descobrir alguma etnia que até então não sabia existente em Toronto (e em seguida ir provar a comida que eles fazem), e beber com os amigos no fim da tarde, em algum lugar aberto, enquanto o inverno não chega. Torce pelo América, mas se ganhar muito, muda para o Íbis. Ana tem muito, muito medo do Papa.
Chico demorou pra escrever o perfil dele, esse maldito. Normal, é meio enrolado mesmo com os zilhões de bandas fake, gibis imaginários e mega-projetos de sua cabeça. É figura, aleatório, maluco, fascinante e acredita que o acaso vai proteger enquanto andar distraído. Paulista, se mudou pro Rio de Janeiro ainda novo e agora quer ficar porque aqui é onde ele respira. Cursou publicidade e agora estuda jornalismo e tá com fé que “agora vai”.
Elisa é paulistana, foi punk da Freguesia do Ó, passou na faculdade e fugiu pra cidade maravilhosa, com quem tem um caso de amor consentido pelo marido. Quase nunca vota porque sempre perde o prazo pra transferir o título, quase nunca dirige porque gosta de admirar a paisagem (especialmente o céu do Rio), quase nunca toma sol - apesar de adorar praia - porque gosta de ser branquela. Pra viver come pão de queijo, toma chá, trabalha como atriz e o-que-mais-ela-quiser, passeia e joga papo fora por aí.
Lia estudou em escola experimental, sua mãe faz mapa astral legal e papai é roteirista. Aprendeu a ler aos 3 anos, aos 5 escrevia e ilustrava seus livros, aos 9 tirou terceiro lugar no concurso de poesia da escola com um poema sobre o cometa Halley. Aos 10 anos escrevia declarações de amor para Luke Skywalker em seu caderno, aos 12 queria viver nos anos 50, aos 13 descobriu que o sapato que todo mundo usava ficava horrível no seu pé, resolveu que usar o que todo mundo usa é muito feio e começou a pintar suas camisetas brancas com frases do Nelson Rodrigues. Aos 15 fazia artes para capas de fita demo dos amigos, aos 16 arriscava animações no PC da escola, aos 17 diagramou (na mão, PC em casa era luxo) o convite de formatura do terceiro ano. Fez balé, jazz, lambada, sapateado, flamenco, hula e acaba de descobrir o lindy hop e a dança de salão. Além de sua família, Miquinhos Amestrados, Fred Astaire, Cole Porter, cinema da UFF, filmes do Woody Allen, fanzine Panacea, Revista General e o café da casa da vó Inah ajudaram a formar seu caráter. Pouca coisa mudou desde então.
Bailarina frustrada, atriz de araque, cantora de chuveiro e escritora “internérdica”, Liv encontrou no jornalismo um meio de agregar tudo o que gosta de uma vez só. Antes só queria saber de música, mas depois que entrou para a faculdade, aprendeu a expandir os horizontes e hoje até gosta de cinema, além de ser apaixonada por moda, comportamento e tudo o que concerne a cultura pop. Fala sobre tudo e fala muito, mas não deixa de ver, de ler e de ouvir. De Beatles a pipoca, de pés da bunda a rótulo de xampu, ela quer sempre mais. Apesar de ser adepta do róque desde criancinha - com esporádicas escapadas para estilos que até o mais crente duvidaria - concorda com o funk que diz que o que só quer é ser feliz.
Economista por acaso, Patricia também estudou História da Arte, e já foi cinéfila quase compulsiva. Trabalha com produção de shows e CDs, descobriu o samba há alguns anos, e não larga mais de jeito nenhum. Casou até com um músico, pra ficar tudo em casa, com muito jazz e alguma MPB. Passa o dia na Internet, entre coisas importantes e inutilidades completas.
Pedro é meio designer - existe isso? - e redator em um website sobre videogames. Adora gatos, joguinhos eletrônicos e animação japonesa, e costuma dizer que só sabe falar destes três assuntos. Se bem que até que não: além das nerdices já citadas, curte rock independente e alternativo, cinema (seja esquemão ou obscuro), ir a shows e compor músicas em casa. Reza a lenda que ele é movido a cappuccino, e quando o Sol vai embora este é substituído por piña colada e Bloody Mary. A não ser, é claro, que ele esteja extremamente ocupado zerando um jogo, vendo uma série obscura ou gravando suas músicas no PC.
Soraya nasceu em Brasília e era punk por lá, até que houve um extravio em sua vida e ela veio parar no Rio. Percebeu que onde parava, onde ia, onde voltava, vinha sempre um maluco lhe contar histórias a noite inteira. Como o pára-raio era dos mais capazes, ela virou psicóloga e viciou nesse negócio. Fora do consultório ela sai por aí ouvindo conversa alheia, prestando atenção nos outros, e anotando no seu caderninho, pois jura que nasceu desprovida de criatividade inventiva, então a solução é roubar histórias alheias pra passar o tempo e ter assunto.