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ago
11
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Os alemães do Scorpions anunciaram que vão deixar o Rio de fora de sua mini-turnê pelo Brasil. O motivo? "A cidade já não está mais segura depois do Pan". Depois de um show em Manaus, a banda segue para Recife e São Paulo.
A batata quente está pulando de mão em mão: a banda diz que o produtor brasileiro, Paulo Barón, desistiu do show alegando a falta de segurança na cidade; já o produtor empurra a culpa para promotores cariocas. E fica assim, nesse disse-não-disse.
Então tá, né? A gente finge que acredita na desculpa esfarrapada. E, no final das contas, não vamos perder grande coisa e continuamos achando que rock n’ roll mesmo é Rolling Stones na praia, Gangrena Gasosa no Garage ou Gretchen no Buraco da Lacraia. Tudo na mais perfeita segurança e ordem.

A tarja preta é porque não sabemos muito bem o que dizer, mas precisamos registrar nossa indiganação de alguma maneira.
Hoje acordamos e demos de cara com o vídeo da execução de um trabalhador a sangue frio por PMs.
E a gente acaba caindo num escapismo no qual o paralelo Gotham City – Rio de Janeiro é inevitável. O Rio tem uma sociedade paralela que criou leis onde esse tipo de atividade é aceitável, tal qual Gotham City. A principal diferença é que não temos um Batman para vir ajudar.
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jun
25
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Você evita a Linha Vermelha por conta da violência?
Você tem evitado andar de avião por conta do caos aéreo que assola o país há 10 meses?
Ok, você precisa viajar para, digamos, Brasília e não dá pra evitar nenhum nem outro… o jeito é pegar a Linha Vermelha e ir para o Galeão, rezando pela boa vontade dos controladores de vôo e para não dar de cara com nenhum tiroteio no caminho.
Não dá pra ficar pior do que isso, dá?
O pior é que dá! Parece brincadeira de mau gosto, mas é a pura verdade: um tiroteio nas proximidades fechou uma pista do Aeroporto Internacional, hoje pela manhã.
E o Rio de Janeiro continua lindo. Mas vai ficando cada dia mais surreal…
Foto por moogs, via Flickr.
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jun
25
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O Carioquíssimo se deparou com a notícia do espancamento da doméstica Sirley Dias de Carvalho Pinto em todas as publicações hoje e sabia que tinha que comentar também.
O problema é que falar do absurdo dessa história é chover no molhado, porque disso todo mundo sabe – esperamos que até os desgraçados envolvidos no caso, à essa altura. A gente poderia falar de como a juventude de classe média carioca muitas vezes causa vergonha e de como a esdrúxula desculpa dos jovens de confudirem Sirley com uma prostituta por si só já deveria garantir mais meses na prisão por crime de preconceito, entre outras coisas. Mas acreditamos que essa também seja a visão dos nossos leitores, e não vamos ficar repetindo o lógico.
Preferimos então abordar o aspecto que talvez nos choque mais: a que ponto essa moçada chegou, em que jogar o próprio futuro no lixo desse modo passou a ser cabível e comum? Qual foi o momento em que se ter uma gangue de rua que se sente no direito de distribuir socos e pontapés deixou de ser motivo para punição por parte da família e virou um modo de socialização comum? Quando foi que espancar índios, gays, prostitutas, mendigos, cachorros e qualquer grupo um pouco diferente da playboyzada zona sul, virou um passatempo casual e freqüente – que não se entenda aqui "playboyzada zona sul" como um discriminatório da playboyzada zona norte ou oeste, mas sim como um modelo base, embora estranhamente nunca abordado em novelas de Manoel Carlos ou Glória Perez – e chegamos à barbárie que envergonha a nossa sociedade?
A gente continua sem saber a resposta. Mas acreditamos que as pessoas sãs ainda são maioria esmagadora e que ainda há luz no fim deste longo túnel. Assim como deixamos aqui registrada nossa indignação, vários outros cariocas têm se manifestado: as páginas Orkut dos envolvidos foram inundadas de recados de repúdio. Como todo bom covarde, os cretinos tentaram se esconder, trocando seus nomes ou apagando seus perfis. Um dos acusados chegou a trocar seu nome por "Marcia de Sousa" – decisão nada sábia, que acabou gerando mensagens do teor "Está se preparando para virar mulherzinha na prisão e já até trocou de nome?". Mas aparentemente esse temor não passa pela cabeça dos criminosos, já que um deles chegou a declarar que não iria ter problemas por conta de sua boa situação financeira. O que só corrobora a atitude de alguns dos pais ao irem à delegacia, que foram citados em notícias ameaçando jornalistas. Afinal de contas, educação se aprende em casa, e pelo visto, falta de ética também. Pelo menos, a OAB já declarou sua intenção de não deixar o "evento" passar em brancas nuvens.
Pensando nisso tudo, só nos cabe fechar esse quase editorial com as palavras do pai da vítima, o pedreiro Renato Moreira Carvalho, de uma lucidez e retidão exemplar, ao ser entrevistado pelo O Globo:
— Eu estava trabalhando quando a Sirley me ligou para dizer o que tinha acontecido. O que esses rapazes fizeram foi brutal. Minha filha trabalha desde os 17 anos. Ninguém merece isso. Eles precisam de tratamento. Criei meus quatro filhos como meu pai me criou, com integridade. O problema é que os jovens de hoje estão muito soltos, sem limites. Por isso, estão tão violentos. Se os pais procurarem saber o que os filhos fazem fora de casa, podem melhorar muito esse caos.
Amén.

Tico Santa Cruz engajou-se na luta contra a violência quando Nettinho, guitarrista de sua banda – Detonautas – foi assassinado numa tentativa de assalto no Rocha. Desde então, ele criou a organização Voluntários da Pátria, que organiza eventos de protesto e visita escolas divulgando sua mensagem. Mas, como os eventos não tem dado o retorno desejado – talvez por serem marcados em horários bissextos, como durante jogos da seleção e afins – Tico resolveu promover um "apagão": no dia 4 de junho os moradores do Rio estão convidados a apagarem suas luzes por 5 minutos, as 19 horas.
Se a onda pegar, pode ser bom também trancar bem as portas… seguro morreu de velho.
Foto por Naty Torres,via Flickr
Ontem à noite o Carioquíssimo pegou um táxi de Botafogo ao Leblon, por volta das 22h. O taxista, bom de papo, tinha milhares de histórias pra contar. Começou desfilando clássicas de casais foguentos se agarrando no banco de trás, passou pelo passageiro que tirou o tênis e esticou as pernas no painel do carro e chegou no assunto óbvio, que de tão comum está quase se tornando banal: assaltos.
Contou sobre um assalto que sofreu na Zona Sul, numa noite qualquer. Dois pseudo-passageiros entraram e anunciaram o roubo. Mandaram encostar o carro, pegaram a féria do dia e ainda tentaram, sem sucesso, tirar o cd-player. O Carioquíssimo perguntou se fugiram à pé ou levaram o carro. Eis que o taxista responde:
- "Eles foram muito inocentes. Desceram do carro e nem olharam pra trás. Saquei a pistola e mandei bala."
Se só isso já dava pra assustar, é preciso frisar que tal frase foi acompanhada de uma RECONSTITUIÇÃO. Ele realmente sacou a pistola e mostrou como a coisa tinha acontecido (felizmente os disparos não fizeram parte da encenação).
Se a violência infelizmente se tornou rotina na cidade, a gente ainda não se acostumou (e nem pretende se acostumar) com a banalidade com que ela é tratada por alguns. Vamos combinar que dividir um carro com um estranho armado contando como ele "mandou bala" em dois bandidos de não é uma coisa que a gente consiga achar normal. Tanto que o Carioquíssimo resolveu descer algumas quadras antes do destino inicialmente planejado.
Foto por cyrenaic, via Flickr.
Pra se safar da violência, cada um se vira como pode. Um pedreiro de Itaboraí, do alto de seus 61 anos, usou uma foice para ser livrar de três traficantes que tentavam invadir sua casa para assassiná-lo.
Os bandidos acabaram presos. E o pedreiro deu o singelo depoimento: "Eu bati com a foice como se fosse cortar um toco. Tive que ter sangue frio. Ou eles iam me matar".
Nem Chuck Norris faria melhor.
Parece piada (de mau gosto), mas não é: o suspeito de comandar a invasão do Morro da Mineira foi liberado pela polícia horas depois de ter sido preso. O motivo? O rapaz tem a ficha limpa e não estava armado no momento da prisão.
Bem, o tal do Cho Seung-Hui também foi liberado pela psicólogo que o atendeu quando ele foi internado, embora tenha sido apontado por colegas e professores como um perigo para as pessoas e para si mesmo. Deu no que deu.
A gente não disse que a situação da segurança pública no Rio é pra lá de surreal?
Foram 25 mortes violentas em 24 horas. Só no conflito do Morro da Mineira, 13 mortos. No centro, em plena Rua México, mais 2 mortos.
As edições online de O Dia e O Globo trazem, respectivamente, fotogalerias chocantes dos dois incidentes.
A situação da segurança no Rio transcede as barreiras do surreal: até velório foi interrompido durante a confusão na Mineira. E, infelizmente, a gente aqui no Carioquíssimo acaba classificando notícias assim como "Cotidiano da cidade", como vocês podem ver aí embaixo. Ontem foi a Mineira, hoje é o Pavão-Pavãozinho. Aguardemos o saldo.