Imagens das vaquinhas que tomaram conta da cidade na Cow Parade via Pool do Carioquíssimo no Flickr.

Esta semana é a última chance de ver a exposição Tomie Gráfica, na Caixa Cultural. O Instituto Tomie Ohtake, realizador da mostra, comemora cinco anos, e volta a marcar presença no Rio. Nesta mostra a proposta é de caráter retrospectivo, cobrindo quase 40 anos de gravuras na obra de Tomie Ohtake. São 80 trabalhos, realizados entre 1968 e 2005, utilizando diferentes técnicas, como serigrafia, litografia e a gravura em metal.
Por todo o enorme cubo branco em que é transformada a galeria, há espaço para as experimentações de Tomie Ohtake, explorando diversos formatos, cores e suportes. A gravura por si só já é uma técnica que trabalha texturas, mas o trabalho de Tomie vai ainda mais fundo e explicita contrastes, e as próprias marcas do gesto da impressão. Em alguns momentos é impossível não notar as referências à tradição caligráfica que a artista traz de seu Japão natal. Parte disso fica claro no trabalho desenvolvido em conjunto com o poeta Haroldo de Campos.
É imperdível, e é preciso correr para ver.
Serviço:
Tomie Gráfica
Caixa Cultural – Galeria 3
Av. Almirante Barroso, 25
Centro – Rio de Janeiro
Tel. 21 2544 1099 / 3029
Grátis
Até 24 de junho
Foto por Fê Steffen, via Flickr.
O Carioquíssimo esteve ontem na inauguração do Quarto, galeria de arte que nasce com a proposta de dedicar-se à arte erótica.
A exposição inaugural, Eu/Desejo, celebra a sexualidade, explorando o erotismo e o fetiche. A coletiva mostra esculturas, pinturas, videoinstalações e desenhos de trinta artistas, entre os quais Anna Maria Maiolino, Celeida Tostes, Antonio Dias, Mauro Espíndola, Antonio Dias, Márcia X, Rubem Grilo e Arjan. Entre os trabalhos descobríamos também o espaço, cheio de gavetinhas, portas, fechaduras e objetos de desejo de todos os tipos. Um climão! Uma pena que a galeria estivesse iluminada demais, nossa única ressalva. A proposta da curadora Luiza Interlenghi pedia um ambiente mais aconchegante… Apesar disso, nossa equipe achou tudo um tesão (com trocadilho, por favor)!
Ah! Essa é uma exposição proibida para menores de 18 anos! Hmmmm…
Serviço: Eu/Desejo Quarto. Rua Farme de Amoedo, 76, 4º andar, Ipanema Tel. 21 2513-0880. Segunda a sábado, 14h às 23h. Grátis. Até 31 de julho.
A exposição China Hoje ocupa a espetacular Rotunda do Centro Cultural Banco do Brasil, e o 2º andar do prédio. O acervo, com obras de 27 artistas, pertence ao maior colecionador de arte contemporânea chinesa, o empresário suíço Uli Sigg.
A Curadoria de Sigg e Alfons Hug tem como objetivo “nos aproximar de um mundo em transformação”. Para isso traçam um panorama da vanguarda chinesa no período 1979-2007, articulando os segmentos A Imagem do Ser Humano e Retrato, Vida Urbana, Paisagem, Caligrafia e Tradição Espiritual e Herança Revolucionária.
China Hoje é surpreendente, mas não revolucionária. Há algo inesperadamente sarcástico e crítico no ar, o que nos faz pensar nos limites elásticos que a arte encontra, mesmo nos ambientes mais rígidos. Na exposição predomina a pintura, que traz em si um certo olhar fotográfico, algo hiper-realista. São trabalhos carregados de referências ao regime comunista, e ao peso de uma tradição milenar. As obras trazem referências à arte ocidental, mas está sempre muito clara a sua personalidade oriental, e por isso mesmo não há nada artificial. O Carioquíssimo destaca o trabalho fotográfico de Shao Yinong & Muchen e Miao Xiaochun, com seus espaços de representação vazios, e o enorme Retrato n. º3 de Li Dafang, com uma nova cara da China: moderna, com aspirações de individualidade, que nos olha desafiadora, vestindo, com ironia, o passado.
China Hoje – Coleção Uli Sigg: de 14 de maio a 15 de julho
Centro Cultural Banco do Brasil
Rua Primeiro de Março, 66 – Centro
De terça a domingo, das 10h às 21h
Tel. (21) 3808 2020
Grátis
Vaca malhada, pintada, zebrada, de bolinha, cubista, surrealista etc. As ruas do Rio vão ter (ainda mais) vacas de todas as cores e tipos quando a CowParade chegar por aqui, entre 5 de setembro e 4 de novembro desse ano.
A CowParade é um evento que foi criado há 9 anos atrás, na Suíça, pelo artista Walter Knapp. De lá pra cá já passou por diversas cidades mundo afora, como Nova York, Paris, Lisboa, Tóquio etc. Em terra brasilis, as vaquinhas já passaram por São Paulo, Curitiba e BH.
A coisa funciona mais ou menos assim: artistas selecionados poderão estilizar esculturas de vacas em três poses – pastando, de pé ou deitada. Vale qualquer qualquer técnica e estilo. As melhores vacas serão então expostas cidade afora, durante os 2 meses de exposição aberta. No final elas são leiloadas e a verba arrecadada vai para a Obra Social da Prefeitura do Rio.
Quer fazer a sua vaca você mesmo? Corra: as inscrições para artistas terminam no dia 17 – semana que vem!

Foto de Vaca Leitera nas ruas de São Paulo, por Tatiana Sapateiro, via Flickr.
Dizem que a primeira vez a gente nunca esquece, e por isso mesmo o Carioquíssimo perdeu muito tempo pensando em qual exposição deveria ser o tema desta primeira resenha… Qual mostra, dentre todas as coisas bacanas que andam rolando na cidade, mereceria ser lembrada para sempre?
E lá foi nossa indômita equipe pelas ruas do centro do Rio, escolha um tanto óbvia para buscar o supra-sumo das artes na cidade. De museu em museu, de centro cultural em centro cultural, caminhamos, por um longo tempo, em busca do assunto perfeito para "A Primeira Vez".
E caminhando por aí, chegou-se a uma conclusão deliciosa: para quem vem ao Rio, a primeira, a maior e a mais incrível exposição que se pode visitar é a das próprias ruas do centro da cidade.
Fica aqui então a dica para iniciantes (e, vá lá, para iniciados também): comece pela Rua Primeiro de Março. Antiga Rua Direita, a primeira rua da cidade. Ligava o Morro do Castelo ao Morro de São Bento. Movimentada, foi ali que os primeiros Governadores se instalaram, bem como o Banco do Brasil e os Correios, e foi em torno dela que se desenvolveram as principais ruas da cidade.
A Rua ganhou nome novo depois da Guerra do Paraguai (também homenageando o dia da fundação da cidade, em 1º de março de 1565) e perdeu um de seus marcos após a derrubada do Morro do Castelo. Só no início do século XX que o centro dos acontecimentos foi transferido para a novíssima Avenida Central (atual Avenida Rio Branco). Mas ainda é no entorno da Primeiro de Março que estão algumas das mais incríveis construções históricas e alguns dos melhores centros culturais da cidade: o Arco do Teles, o Paço Imperial, a Antiga Sé, a Igreja do Carmo, o Centro Cultural Banco do Brasil, a Casa França-Brasil, o Palácio Tiradentes, o Centro Cultural dos Correios, os prédios do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e do Tribunal Regional Eleitoral, o Mosteiro de São Bento, galerias, tradicionais restaurantes e muito mais! E ainda há o melhor: a fauna carioca, mais diversificada impossível, que lota as calçadas da rua, desfilando para os olhinhos brilhantes do Carioquíssimo! Grande exposição, imperdível!
Foto de Ana Paredes.