Chafé do bem
O Arab, na praia de Copacabana, tem um café espetacular no cardápio: chama-se Café Turco, e é altamente recomendável.
Café, vocês bem sabem, não deve ser adoçado - deve ser sentido e apreciado, por mais serragem misturada que tenha (e esse parece ser do puro). O modo de preparo do turco é direto na água, sem filtro, sem coador, o pó moído no máximo para dissolver melhor na água - e pra não ficar intragável de tão forte, a solução é fazer o café meio ralo. Uma espécie de chafé do bem: não deixa de ser forte, por causa do modo de preparo. As sementes de cardamomo são um plus, dão um aroma especial à bebida.
O bule é um espetáculo à parte: lindo, estiloso, com dispositivo de controle de fluxo no bico, dá vontade de levar pra casa. Servir o café turco, cheirar o café turco e, por fim, tomá-lo, é um ritual e tanto. A localização (à beira da praia), a peculiar fauna local circulando pelos arredores e a culinária árabe sempre muito presente em pontos estratégicos da cidade fazem do Arab - por incrível que pareça - um programa tipicamente carioca.
O Café Turco custa R$4,50 e o conteúdo do bule dá para umas quatro xicrinhas. Qua-tro. Sua porção workaholic agradece.
Arab – Avenida Atlântica, 1936, Copacabana.
Já se foram os tempos em que o whiskey paraguaio era fonte de preocupação: o terror do mundo etílico, no quesito falsificação, agora vem de dentro do estado mesmo. Dois laboratórios foram destruídos, e sete envolvidos presos. As investigações duraram 7 meses.
Então… lembra daquela noite em que você foi a uma boate e tomou drinks bacanérrimos, ou daquela festa daquele evento chiquérrimo - como, talvez, o Festival de Cinema do Rio, um dos suspeitos de terem comprado produtos da quadrilha - ou melhor, nem lembra muito como terminou a noite? Tá-dá… a sua ressaca foi incomum porque vinha de Araruama!

O que é legendário em um ambiente urbano? Alguns acham por bem classificarem como legendários os truísmos e as superstições da classe média, reformatadas por geeks que correm livres pelo cyberspaço, de comunidades em comunidades, espalhando-as como “lendas urbanas”. Para o Carioquíssimo, legendários são os lugares dessa cidade que serviram de cenário para as histórias (e estórias) mais saborosas do folclore carioca, esse sim, o verdadeiro folclore urbano.
Pois o cenário preferencial de muitas desses casos são os bares e botequins. Uns mais famosos, outro anônimos, quase todos desaparecidos. Uma vez que estamos falando de lendas, cai bem imaginar que muitos deles (o Simpatia, o Monteiro, o Jangadeiros) não existiram senão em lendas, para aqueles que nunca viram um bar de verdade.
Pois essa é uma das funções do Bar Paladino: provar que eles existiram e que ainda podem existir nos nossos dias. Em cada detalhe: nos guardanapos que envolvem os sanduíches com mais andares que um arranha-céus, nas mesinhas (sempre imitadas, nunca igualadas), na localização (em pleno Centro da cidade, esquina de Uruguaiana com Marechal Floriano), nas prateleiras de madeira e nas estantes de vidro (o bar divide o espaço com uma mercearia daquelas da década de 40, quando ainda não se sabia o que era uma delicatessen), em tudo, o Paladino faz jus ao nome como o sobrevivente que é.
Se bobear, pode até ser o refúgio de figuras cariocas, personagens de filmes ou de livros dos anos 70, devidamente repaginados, mas com a mesma aura que nos deixa entrever uma forma de ser carioca que desaparece com cada botequim que fecha nessa cidade.
Foto por Francisco Madruga